9 de abril de 2012

Somos tão sozinhos


Eu sinto que, mesmo escolhendo alguém para compartilhar uma vida, ainda assim estamos sozinhos. Por mais que tenhamos uma família para nos dar suporte, com ou sem o amor romântico em nossa vida, permanecemos sozinhos. Simplesmente porque somos de natureza individual. E vivemos em uma Torre de Babel: somos essencialmente os mesmos, mas não conseguimos nos comunicar com perfeição. Estamos todos a procurar a felicidade, mas esse conceito em forma prática é extremamente particular.

A forma de você me ensinar, não capta o melhor modo de me fazer aprender. O modo de você expressar amor, não é a melhor forma de eu me sentir amada. E às vezes a forma como eu me expresso também não é bem compreendida. Eu falo uma língua e você fala outra. Às vezes eu sou coerente em tudo o que faço e tenho sempre uma razão para as minhas escolhas e você é exatamente assim, mas com uma perspectiva de vida totalmente diferente. Outras vezes eu sou extremamente racional e argumento com você o porquê das minhas razões e você, que é mais artístico no seu sentir, não sabe me explicar que você não precisa perseguir a coerência para ser feliz.
Um dia estou alegre, feliz e musical e você assim tão triste que se incomoda. E nesse dia eu não consigo lhe tirar dessa tristeza, quando minha alegria passa a brilhar bem menos. Mas em outro dia estou tão triste, e queria tanto estar assim feliz com você em vez de estragar seu dia ao ter que desabafar.
E quando eu quero só desabafar, você me condena. Quando eu quero uma represália, você me perdoa. Se por um lado eu penso que aprendi o suficiente sobre você, você me surpreende. Contudo, como o tempo passa sempre, sou surpreendida por como você não mudou ainda. Por vezes, o que você tinha e eu gostava já mudou. Mas, às vezes, o que eu gostava e ainda há, eu já não gosto mais. Você me conta do seu dia e eu do meu. Porém eu não estou lá e você não está aqui.
Por mais estranho que soe, a boa convivência requer racionalização, na medida que pede empatia. É necessário que você pense no que é o melhor para outro; o que ele quer dizer, já que a sua linguagem é diferente; o que ele pode querer, mas não irá dizer; o que ele precisa, mas não irá pedir. Somos espécies endêmicas de uma ilha com um habitante só. Amar significa fazer a devida conexão com o outro. Isso já não é tão natural, mas é essencial.
É nos momentos que a vida nos dá um susto ou que a saudade aperta, que eu busco você e você me busca. Nesse instante nos entendemos sem palavras nem gestos, e não haverá erro de interpretação. É então que não posso deixar escapar a oportunidade de dizer o quanto eu amo você.

Autora: Érica Marina

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Ocorreu um erro neste gadget